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Clonaram meu celular? Entenda o golpe do “celular provisório”, que visa familiares e amigos

Felipe Oliveira
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Você está tranquilo em sua casa quando de repente recebe o contato de alguém de sua família afirmando que seu WhatsApp foi clonado. Essa pessoa diz que alguém está mandando mensagens se passando por você e que o fraudador estaria dizendo que aquele é um “celular provisório”, já que o telefone que costuma usar com frequência quebrou e foi para o conserto.

Claro, isso pode te deixar bastante assustado! Seu familiar ainda diz que foto do perfil do WhatsApp que entrou em contato com ele correspondia com a sua e que o golpista até mesmo o chamou pelo nome e sabia o grau de parentesco. O diálogo teria seguido por alguns minutos, tudo parecia bem, mas de repente aquela pessoa que se dizia ser você afirmou que estava com uma urgência e precisava de dinheiro para fazer um pagamento e, como estava sem o celular original, não conseguia acessar o aplicativo do banco.

A conversa foi mais ou menos como as dos prints abaixo:

Já passou ou conhece alguém que passou por isso? Pois é, esse golpe vem sendo aplicado com frequência por meio do WhatsApp e algumas pessoas acabam caindo já que, apesar de o número de telefone ser diferente, se sentem confortáveis porque estão conversando com uma conta que possui a foto de quem diz estar falando e ainda as chamam pelo nome.

Mas como os golpistas fazem isso? Muitas pessoas chegam até a disparar uma mensagem nos grupos de familiares avisando que seu telefone “foi clonado”. Mas não é bem isso o que acontece.

Essa fraude está relacionada a eles: os vazamentos!

Para esse golpe, os fraudadores se aproveitam de inúmeros vazamentos que ocorreram nos últimos meses. É simples para eles encontrar na internet o nome completo, telefone e até mesmo CPG, RG e e-mail de uma pessoa, certo?

Mas aí você questiona: “é verdade, mas como então ele sabe o nome completo e o grau de parentesco daquela pessoa?” Muito simples, hoje em dia, quase todo mundo possui um perfil nas redes sociais!

Imagine que um golpista recebe o nome completo de Joãozinho Maria José e também o telefone. Se o perfil de Joãozinho no Facebook ou Instagram estiver aberto, uma rápida pesquisa poderá mostrar quem são seus parentes mais próximos ou pessoas que ele tem contato.

“Em todos esses casos, as vítimas costumam ser parentes muito próximos, como irmãos, pais ou tios. O fraudador não entra em contato com um simples amigo ou conhecido”, explica Fernando Guariento, head de Professional Services do AllowMe.

Após fazer essa pesquisa, os golpistas simplesmente baixam uma foto e entram em contato para relatar uma emergência e pedir dinheiro – e a maioria acha que o telefone da outra pessoa foi clonado. Mas na verdade quem está ali, conversando com o fraudador, é quem teve os dados vazados. Como assim?

Pense bem: alguma vez você já postou uma foto com sua irmã/irmão no aniversário? Já fez isso também com seus pais, tios, primos, avós? Provavelmente sua resposta foi sim, certo? Como suas informações se ligam com a de seus parentes? E-mail, redes sociais, contas de consumo, etc. Possivelmente são esses os lugares que o fraudador tentará subverter.

Então vamos voltar aos vazamentos. Quando o golpista consegue seus dados e faz uma pesquisa em suas redes sociais, ele não possui o telefone de seus pais ou irmãos, mas o seu. Portanto, ele verifica em seu perfil quem são as pessoas mais próximas, entra no perfil delas, baixa uma foto e aí entra em contato com você se passando por elas.

Assim, enquanto você pensa e até avisa o seu familiar que ele teve o telefone clonado e estão se passando por ele para pedir dinheiro, na verdade os golpistas estão apenas se aproveitando de informações que você colocou em suas redes sociais para tentar te pegar.

Ou seja, esse golpe é bem diferente de um SIM Swap, que é quando o fraudador “rouba seu chip” (hiperlink), recupera sua conta do WhatsApp e usa seu número de telefone com sua lista de contatos que ele baixou e fez o backup. Aqui, a pessoa não roubou seu número, ela apenas botou uma foto conhecida para te trazer conforto.

O que fazer para escapar desse golpe?

Bom, primeiramente, se possível, o ideal é não deixar as redes sociais abertas para que qualquer um possa acessar. Esse é o primeiro passo para que os golpistas não consigam saber quem são pessoas próximas a você.

Claro, você pode já possuir as contas de redes sociais fechadas apenas para amigos e parentes e mesmo assim sofrer esse tipo de ataque. Isso ocorrer porque, provavelmente, você acabou caindo em algum phishing que deu acesso ao fraudador às suas contas, como do Google, por exemplo, o que deixaria possível ao golpista baixar todos os seus contatos (e assim saber quem é seu pai, sua mãe, etc). Por isso, sempre preste atenção nas URLs e não saia clicando em qualquer anúncio ou link que recebe pela internet.

Outro ponto importante é sempre desconfiar quando alguém pede dinheiro a você – sim, eu sei que é difícil e nós somos emocionais. Se um parente (ou alguém se passando por ele, inclusive com a foto) entra em contato e diz que teve um problema e precisa de dinheiro, não é tão simples assim não acreditar.

Mas pense de cabeça fria: qual a probabilidade de um celular quebrar e uma pessoa que, normalmente, não vem te pedir dinheiro, precisar justamente naquele momento pagar algo urgente?

Além disso (e aqui talvez seja o passo mais importante), peça para fazer uma chamada de vídeo com a pessoa que está falando com você. “A bala de prata nesse caso é a vídeo-chamada. O fraudador vai dar um milhão de desculpas, ressaltar a urgência, dizer que não pode fazer, etc. Isso porque quando você faz uma vídeo-chamada, acaba todas as dúvidas, inclusive se a voz é parecida, por exemplo”, finaliza Fernando Guariento.

Artigo escrito por Felipe Oliveira

Felipe Oliveira é jornalista apaixonado por futebol, mas decidiu levar os esportes apenas como lazer depois trabalhar direto da redação em uma edição de Jogos Olímpicos e uma Copa do Mundo. Formado também em Direito, desde 2019 aceitou o desafio de escrever sobre tecnologia e, em 2021, atuar com marketing no mercado de prevenção à fraude e pagamentos digitais. No tempo livre gosta de assistir a jogos de futebol e matar a saudade da infância com canais de YouTube sobre games antigos.

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