CPF, RG, endereço, nome da mãe, número de passaporte, número de telefone, fotos… As notícias sobre vazamentos de dados trazem cada vez mais a certeza de que nossas informações pessoais não estão tão protegidas quanto pensávamos.

E como já dissemos diversas vezes aqui no blog, com esses dados à disposição e a conhecida criatividade, os golpistas têm tudo em mãos para “fazer a festa”. Mas se você pensa que os golpes são sempre novos e surpreendentes, aí é que você se engana.

Alguns sites já noticiaram que uma fraude bastante conhecida voltou com bastante força ao mercado: a do boleto falso. Isso mesmo: mesmo com a chegada do PIX, que também já foi assunto neste blog por conta de golpes, as vítimas voltaram a receber um boleto falso e que as fazem perder dinheiro – e tempo, tentando entender o que pode ter ocorrido.

E não são apenas os consumidores que sofrem com isso. As empresas cujos nomes foram utilizados nesse golpe também acabam recebendo diversas reclamações, sem nem ao menos ter participado do golpe.

Mas como é esse golpe do boleto repaginado?

Começamos falando sobre os vazamentos porque eles são fundamentais para esse golpe. Os golpistas recebem nome completo, CPF e número de telefone de uma pessoa, por exemplo. Com esses dados em mãos, disparam uma mensagem oferecendo uma renegociação de dívida ou um SMS com um site para emissão de segunda via de boleto.

Só que os golpistas já criaram sites que replicam exatamente a página de um banco ou dessas empresas de empréstimo – para os quais as pessoas são direcionadas, no velho e conhecido golpe de phishing. Assim que o consumidor colocar seu CPF, o site pede outras informações que serão utilizadas, como endereço, valor total da dívida e valor das parcelas.

Pronto! Já é o suficiente para que um boleto falso seja emitido, e a vítima acaba perdendo dinheiro se pagá-lo!

Se tudo é igual, como posso me proteger?

 

 

 

 

 

 

Essa é uma pergunta interessante. De fato, golpistas costumam ser muito convincentes, mas sempre existem alguns pontos que o consumidor pode ficar atento.

Um deles é a urgência com a qual o usuário tem de lidar. Normalmente, o prazo para pagamento desse boleto é extremamente curto – você terá de pagar ainda hoje ou no máximo até amanhã, caso contrário perderá o desconto.

E essa condição também é algo para prestar atenção. Os descontos oferecidos para a quitação da dívida costumam ser bastante razoáveis, o que faz os consumidores se sentirem atraídos a pagar o mais rápido possível.

É o caso de uma mulher moradora da cidade de Patrocínio (MG), que aceitou pagar um boleto de R$ 13.220 para quitar o financiamento do veículo. Infelizmente, após efetuar o pagamento, ela descobriu que havia caído em um golpe.

Mas calma, nem tudo está perdido e é possível verificar se um boleto é falso!

 

 

 

 

 

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) chegou a elaborar um documento com algumas dicas. Confira:

– Confira os dados do beneficiário:

Todos os boletos precisam ser registrados antes de serem gerados e, para isso, os bancos inserem informações como CPF ou CNPJ do emissor, data de vencimento, valor, além do nome e número do CPF ou CNPJ do pagador.

No momento do pagamento, serão mostrados os dados do beneficiário (a empresa que receberá o dinheiro). Caso você não conheça ou desconfie que o nome que aparece não é para quem você deveria pagar aquele dinheiro, melhor parar a operação e entrar em contato com a empresa beneficiária.

– Não imprima os boletos

Muitas quadrilhas usam vírus bolware para adulterar os boletos. Ele muda os dados do boleto, como valor e a conta na qual o dinheiro será depositado, e entra em ação quando a vítima imprime o boleto.

Para evitar ser vítima desse tipo de golpe, a recomendação é não imprimir o boleto e solicitar que o emissor mande o arquivo no formato PDF – além de manter um bom antivírus instalado.

– Confira os dados do banco emissor do boleto

Golpistas costumam cometer pequenos deslizes na hora de criar os boletos adulterados – que um usuário desatento deixa passar. Um deles é colocar um logotipo diferente da instituição financeira que emitiu o título ou ainda um número do banco.

Para verificar se está tudo certo, basta conferir se os três primeiros números do código de barra correspondem ao código do banco que aparece no boleto.

– Use o DDA (Débito Direto Autorizado)

Uma das formas de evitar pagar boletos falsos é aderir ao DDA (Débito Direto Autorizado). Ao se cadastrar, o cliente irá receber a versão eletrônica de todos os boletos emitidos em nome dele. Como o serviço pega as informações direto da Nova Plataforma de Cobrança, não há o risco de o documento ser fraudado.

Artigo escrito por Felipe Oliveira
Felipe Oliveira é jornalista apaixonado por futebol, mas decidiu levar os esportes apenas como lazer depois trabalhar direto da redação em uma edição de Jogos Olímpicos e uma Copa do Mundo. Formado também em Direito, desde 2019 aceitou o desafio de escrever sobre tecnologia e, em 2021, atuar com marketing no mercado de prevenção à fraude e pagamentos digitais. No tempo livre gosta de assistir a jogos de futebol e matar a saudade da infância com canais de Youtube sobre games antigos.

Relacionados Related