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Black Friday: veja golpes que podem ser aplicados contra o consumidor

Felipe Oliveira
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A Black Friday se aproxima e a expectativa dos consumidores não para de crescer. Importante também para os e-commerces, a data vem ganhando cada vez mais destaque no Brasil, com as vendas ultrapassando os R$ 5 bilhões em 2020.

Mas claro, não são apenas as vendas que aumentam no período, já que os fraudadores se aproveitam do grande volume de transações para tentar aplicar golpes, tanto em consumidores, como nas lojas on-line e passarem despercebidos.

Sabendo que os cibercriminososos são cada vez mais criativos, decidimos mostrar os golpes mais comuns nesse período e dar algumas dicas para que você, consumidor, não tenha prejuízos na data.

Neste primeiro artigo, vamos trazer alguns golpes dos quais as pessoas são alvo na data. Para este ano, o PIX poderá ser utilizado como meio de pagamento pela primeira vez, o que pode fazer com que novos golpes sejam aplicados.

Antes de falar dele, vamos começar por uma fraude bastante comum durante todo o ano, que devido ao aumento no número de pessoas realizando compras na Black Friday deve se intensificar no período:

Phishing

Já muito conhecido, o phishing é uma fraude na qual a intenção é justamente roubar dados pessoais da vítima. O nome desse golpe faz alusão a uma pescaria, já que é mais ou menos isso que os fraudadores fazem: jogam uma isca para que as pessoas caiam e tenham os dados roubados.

Na Black Friday, os cibercriminosos costumam aplicar esse golpe por meio de sites falsos e promoções miraculosas. Os sites fake são muito parecidos com os reais, contendo alguma diferença apenas na URL, o que acaba passando despercebido para alguns consumidores.

E qual é a isca? Os golpistas se aproveitam da emoção, da vontade e até da impulsividade das pessoas para comprar algum produto. Pense bem, o maior atrativo da Black Friday é que nesta data os produtos costumam ter um desconto bem maior do que no restante do ano, certo?

Agora, imagine alguém que está namorando um celular há mais de 6 meses e de repente percebe que ele está R$ 1 mil mais barato do que costuma ser. Sabendo que muitas pessoas esperam a data para comprar um produto tão esperado, os golpistas se passam por e-commerces reais e disparam nas redes sociais, e-mails e até mesmo por SMS algumas “promoções”.

Ao se deparar com aquilo, a pessoa acaba sendo influenciada pela emoção e nem percebe que se trata de um site falso. Ao colocar seus dados para obter o produto, o consumidor na verdade está enviando aos golpistas tudo que ele precisa para aplicar golpes futuros ou até mesmo criar contas falsas em outros sites com os dados daquela pessoa.

Por isso, na Black Friday é sempre bom levar em conta um ditado antigo que você já deve ter ouvido por aí: “quando a esmola é demais, o Santo desconfia”. O melhor remédio para esses casos é pesquisar se aquela promoção é real, entrando diretamente no site da loja que está oferecendo tal produto

Falsos suportes

Outra maneira de os golpistas conseguirem seus dados é por meio de falsos suportes em redes sociais. Alguns e-commerces não possuem uma atuação tão forte na internet, o que acaba facilitando a vida dos fraudadores na Black Friday.

Imagine que você está prestes a fazer uma compra em um site real (sim, aqui a promoção é verdadeira). Contudo, no momento de fechar a compra, surge alguma dúvida com relação ao cadastro ou até mesmo no produto.

Assim, você decide procurar aquela loja na rede social e entrar em contato para ver se algum atendente te responde. É exatamente neste momento que o golpista vai te abordar. Sabendo que muitas pessoas buscam contato pelas redes sociais, eles criam contas falsas que se assemelham muito com os anúncios originais, tentando ser o mais convincente possível.

Quando um consumidor não percebe que aquele se trata de uma conta falsa, ele acaba passando informações pessoais importantes que podem ser utilizadas por esses criminosos em futuros golpes.

Por isso, é sempre importante verificar se aquele perfil na rede social se trata do verdadeiro e também ficar atento para quando alguém te pedir informações pessoais como CPF, RG ou e-mail. Será mesmo que aquela loja pediria aquilo para você por meio de uma mensagem particular no Instagram? Desconfie, é sempre uma boa solução!

Golpe do frete

Essa é a primeira Black Friday com o PIX, e esse meio de pagamento deixa o seguinte golpe ainda mais perigoso. Imagine que você se depara com uma belíssima promoção em um marketplace – e aquele era justamente o produto que você precisava.

Neste momento, você decide fazer a compra, faz todos os procedimentos e, inclusive, percebe que a plataforma permite a realização do pagamento de forma segura. Parece que as coisas estão correndo bem, certo?

Nesse golpe, o que acaba sendo utilizado pelos fraudadores para enganar os consumidores é o preço do frete. Antes de a pessoa finalizar a compra, ela recebe uma mensagem que o frete daquele produto deverá ser negociado diretamente com o vendedor.

E é nesta conversa que o golpista acaba enganando as vítimas. Ao conversar com você, ele passará um valor de frente comum, na casa de R$ 20, R$ 30, até R$ 50, algo que os consumidores estão acostumados a pagar. Contudo, eles combinam que o pagamento seja feito por meio de depósito bancário – e neste ano, muito provavelmente, por meio do PIX.

Ou seja, assim que o consumidor fizer esse depósito, eles sacam o dinheiro e cancelam a compra. O valor pago pelo produto até será devolvido, já que a compra foi feita por outro meio de pagamento, mas o valor do frete nunca mais será visto.

Você pode até se perguntar: “tá, mas o golpista estará ganhando apenas R$ 30?”. Sim, pode parecer um valor bem baixo em termos de golpe. Mas se ele conseguir escalar e enganar 100, 200, mil pessoas em um único dia, já dá para pensar que esse golpe foi bem rápido e vantajoso, certo?

Desconto maior

Você já foi em alguma loja e se deparou com uma diferença de preços entre o pagamento com cartão, por boleto ou em dinheiro? Provavelmente sua resposta foi sim! E agora, essa prática pode ser aproveitada por estelionatários por conta do PIX.

Para este golpe, os fraudadores se aproveitam da emoção do cliente no momento da compra e colocam aquela pitada de urgência para estimular a compra. Imagine que você recebe uma promoção de um produto eletrônico que quer comprar há algum tempo.

No anúncio, o produto custa R$ 3 mil, sendo que pode ser pago no cartão de crédito em até 12 vezes, mas com juros. No boleto, o valor é o mesmo, mas sem a possibilidade de parcelar. Contudo, você se depara com algo com bastante destaque: no pagamento via PIX, o produto ganha 20% de desconto!

Você, obviamente, se anima e até pensa: “claro, vale a pena para a loja já que o PIX não está atrelado a cobrança de taxas”. Antes de fechar a compra, mais um aviso: “aproveite, só restam duas unidades”.

O consumidor então corre para finalizar a compra e fazer o pagamento para não perder aquela oportunidade. E pronto! Você não só não vai receber aquele produto como o dinheiro nunca mais será visto.

Com a chegada do PIX, é possível que golpistas se aproveitem da agilidade no meio de pagamento para aplicar golpes dando grandes descontos.

Como não cair em golpes?

Sim, sei que você estava esperando essa parte. Os golpes durante a Black Friday não costumam ser muito diferentes daqueles que são aplicados aos consumidores durante o ano. O problema é que durante essa data específica, as pessoas estão esperando por grandes promoções e acabam agindo no impulso.

Por isso, priorize a razão no momento de comprar aquele produto e faça a si mesmo algumas perguntas como: “por que esse produto está tão barato naquela loja se no e-commerce do fabricante segue com o mesmo preço?”. “Será que este site no qual estou comprando é realmente real?”. “Por que será que restam tão poucas unidades desse produto neste site?”.

Fazendo simples perguntas como essas você consegue tomar passos cruciais para se proteger; como verificar se a URL do site condiz com a do e-commerce, deixar de lado o senso de urgência e prestar atenção na tal “promoção”, e ainda pesquisar os preços para ter certeza de que aquilo não está muito diferente do que o mercado tem apresentado.

Artigo escrito por Felipe Oliveira

Felipe Oliveira é jornalista apaixonado por futebol, mas decidiu levar os esportes apenas como lazer depois trabalhar direto da redação em uma edição de Jogos Olímpicos e uma Copa do Mundo. Formado também em Direito, desde 2019 aceitou o desafio de escrever sobre tecnologia e, em 2021, atuar com marketing no mercado de prevenção à fraude e pagamentos digitais. No tempo livre gosta de assistir a jogos de futebol e matar a saudade da infância com canais de YouTube sobre games antigos.

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